Flor de sangue,
esta noite perdeu-se por cima da poeira de Tipasa,
de onde se avista todo o pó da terra
e a ferrugem do mundo.
Ou talvez tudo se confunda com as algas,
com as mulheres, com a miséria.
Com uma certa fidelidade a alguns princípios
que são de ordem natural e simples,
não morais.
Falo do barco que sai de Almeria
para Orão.
A noite é plena e plana
com alguns sobressaltos.
Mas trata-se apenas de símbolos
que a verdade é a daquela mulher
que me pousou na cabeça
e me disse se a morte é a única solução,
não estamos no bom caminho
já que o bom caminho
é o que conduz à vida e ao sol.
Como naquele texto em que o caminho,
existindo,
já sabia de cor os passos
e os textos de amor tão recitados
em nome da felicidade
que se traduziam em cima da pedra doce
que era a memória.
É preciso destruir tudo,
ainda mais do que aquilo que já foi destruído.
Por isso imagino que viajando de avião até Tipasa
e não de barco,
se veria a ferrugem e o pó do sal
não da cidade mas das mentiras
de todo o mundo
onde a paz fracassa.
Sigo de barco,
numa noite de Verão que se bebe,
talvez por haver um cheiro estranho
que não pertence à Europa,
mas a África.
E há uma solidão muito grande
que a mulher entranhada na minha cabeça
aumenta ainda mais.
Olho para fora e não se vê nada.
Nada.
Só a noite ou mesmo para além dela,
que é ainda mais noite.
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