em devaneio.
Expandindo-se em estrela e tornando,
como se fosse em uso primordial,
aquilo que existe de humano no fogo.
Soube esta noite que o fogo,
num prazer de luxo intenso,
prova que a sua humanidade conquistou no homem
este espírito de ele ser uma criação do desejo
e não uma criação da necessidade.
Como se tudo o que arde
aumentasse a dimensão humana no seu destino.
A lareira arde no vulcão do teu corpo
a vida de um só teu cabelo na vida
de um mundo inteiro.
O sonho consegue ser mais forte que a experiência.
E o amor contém o fogo do sonho
não o da experiência.
Prometeu é um amante possante
mais do que esse filósofo inteligente e a vingança
dos deuses contra ele é um ciúme.
Ma esta noite aconteceu que te roubei
sem dares conta, às carícias mais íntimas
que a causa humana tem.
Portadora de ti em explosão constante
debaixo da terra
e em mistério permanente
qual Etna prestes a rebentar,
o fogo acabou brilhando no paraíso
e ardendo no mar.
Essa ressonância da noite, em fricção,
disse-me que existes e que o homem é
o que sempre foi.
Uma mão e uma linguagem.
Mão para a ternura e afago,
voz para o canto.
Como o das sereias atractivas
que conseguiram esta noite
curar o segredo
de todo o seu encanto.
Este calor molhado em fogo foi uma explosão.
Como se o químico ardendo no seu amor
tivesse falhado
objectivamente, a sua reacção.
O fogo é a natureza que não pode errar
e sem o qual nada se faz.
Nada se faz em vão.
Com ele, nada no Cosmos se protela ou se adia.
Pela intensidade de fogo
desta noite
mal em mim haverá
dia.
0 comentários:
Enviar um comentário